Minimalismo para uma vida mais leve

Além da oportunidade de viajar pelo mundo, o minimalismo elimina os transtornos causados pela ideia de posse

Você já ouviu falar do nomadismo digital e achou encantadora a ideia de viver viajando de país em país? Agora precisa entender quais são os próximos passos para transformar esse sonho em realidade.

Um requisito essencial é desenvolver uma atividade profissional que possa ser realizada remotamente.

Se você já tem um trabalho assim, está um passo à frente, mas ainda há muitas outras coisas a resolver. Afinal, tornar-se nômade digital não é algo que se viabiliza da noite para o dia.

Uma das maiores dificuldades costuma estar na relação com as posses e os bens que acumulamos ao longo da vida. Desfazer-se de tudo não é simples, tanto do ponto de vista prático quanto emocional.

Engrenagem do cotidiano

Viver apenas com o essencial é extremamente libertador. Esse é um dos grandes benefícios do nômadismo digital.

A sensação de liberdade decorre não apenas da perspectiva de morar em diferentes lugares ao longo do ano, mas também pela oportunidade de se livrar de muitas preocupações da vida convencional.

São preocupações que ocupam a nossa mente, o nosso tempo e consomem o nosso dinheiro. E muitas vezes estamos tão envolvidos na engrenagem do cotidiano que sequer nos damos conta de tudo isso.

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Vinícius Teles, Nômade Digital desde 2010

Peso excessivo

Grande parte dessas preocupações estão diretamente ligadas à ideia de posse. Ter uma casa significa se preocupar o tempo todo com a manutenção da fiação e do encanamento e com os serviços de energia elétrica, água, gás, internet, TV a cabo.

Há ainda os eletrodomésticos que estão sempre deixando de funcionar e precisando ser consertados ou trocados, os seguros que devem ser feitos e renovados, os impostos que precisam ser pagos.

O mesmo acontece quando se tem um carro. É preciso cuidar da manutenção, dos impostos e do seguro.

Imagine agora se livrar de todas essas preocupações.

Sair pelo mundo só com o essencial, sem posses que exigem manutenção, conserto, impostos, seguros. Sentir-se leve como um balão que se livra do peso excessivo e pode voar livremente para qualquer lugar.

É só fazer as malas

Como precisam carregar apenas o essencial, nômades digitais são guiados pelos preceitos do minimalismo: reduzir ao mínimo o emprego de recursos. Tudo o que não é essencial se torna dispensável.

Isso não significa abrir mão dos confortos da vida moderna. Afinal, ser nômade digital não é fazer um “mochilão” pelo mundo.

Quer dizer apenas que tudo aquilo que proporciona conforto não precisa mais ser comprado, não precisa virar posse definitiva. Pode ser simplesmente alugado, para uso por um determinado período, num determinado lugar.

Esse é o princípio de plataformas de locação de imóveis como o Airbnb, utilizadas pelos nômades digitais para decidir onde passarão o próximo período.

O surgimento dessas plataformas viabilizou de vez o estilo de vida nômade, pois permite agilidade e facilidade para alugar imóveis, sem burocracias como fiadores, multas e tempo mínimo de contrato.

Outra vantagem é que incomodações típicas da vida em sociedade, a exemplo de um vizinho inconveniente ou de obras barulhentas num apartamento próximo, tornam-se transitórias.

Não é preciso esperar as obras acabarem ou praticar exercícios diários de paciência com o vizinho: basta fazer as malas e partir para o próximo destino.

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Vinícius, em um dos apartamentos que alugaram pelo Airbnb,

Chateação terceirizada

O valor pago por imóveis do Airbnb inclui todos os eletrodomésticos, móveis e serviços de uma casa. Tudo o que proporciona conforto

Para as pessoas que levam uma vida convencional, ter esses confortos à disposição envolve também uma boa dose de chateação, tempo perdido e gastos inesperados. 

Já os nômades digitais desfrutam apenas do lado bom do conforto.

Ter banho quente não inclui o risco de precisar sair a qualquer momento à procura de um encanador caso ocorra algum problema, ter geladeira não significa se ver diante de um enorme gasto se o motor pifar, ter wifi não exige gastar horas ao telefone tentando resolver uma queda de sinal. Em todas essas situações, basta avisar o locador.

Mudança de mentalidade

Nem todo mundo enxerga essas vantagens com muita clareza. Isso porque a cultura do acúmulo de bens está arraigada na nossa sociedade

Vejamos o exemplo do Casal Partiu, Patrícia Figueira e Vinícius Teles. Referências em nomadismo digital no Brasil, eles já viveram em mais de 70 países nos últimos dez anos.

Hoje, o casal viaja pelo mundo com malas leves – que contêm, basicamente, roupas para dez dias (pois nesse período eles certamente terão uma máquina de lavar à disposição) e os equipamentos necessários para exercer as atividades profissionais (computadores, câmera, telefones, kit de iluminação).

Nem sempre foi assim, entretanto.

Quando tomaram a decisão de deixar o apartamento amplo e muito bem montado que tinham em Niterói (RJ), Vinícius e Patrícia precisaram de um bom tempo para se desfazer de tudo o que haviam acumulado.

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Patrícia Figueira, no Irã. Desfrutando das experiências que a vida nômade proporciona.

O essencial é quase nada

“Nesse processo, percebemos o quanto havia de coisas guardadas na nossa casa que não usávamos mais ou sequer lembrávamos que existiam”, descreve Patrícia.

O casal criou um leilão digital para arrecadar o máximo possível com os objetos que tinham valor comercial, reforço importante para a reserva inicial da vida de nômade digital.

Muitos outros bens foram destinados a doações. 

Nesse meio tempo, era preciso tomar uma decisão delicada: que objetos o casal precisaria ou gostaria de guardar, por questões práticas ou afetivas?

A seleção incluiu documentos, fotos e algumas roupas e sapatos, guardados em caixas que o casal deixou nas casas dos pais. 

Cada vez que Patrícia e Vinícius voltavam ao Brasil para rever familiares e amigos, no entanto, reviam o que estava guardado e decidiam se desfazer de uma parte. “Fomos percebendo que o essencial, essencial mesmo, é quase nada”, diz Vinícius.

Ter ou desfrutar?

Vinícius lembra até hoje da indescritível sensação de leveza ao chegar no primeiro destino como nômades – Bariloche, na Argentina, onde o casal ficou por dois meses.

“Eu não lembrava de ter sentido algo parecido na minha vida de adulto. Não havia mais um monte de contas a pagar, nem um monte de coisas do cotidiano com que me preocupar.” 

Mais importante que tudo isso, era a percepção de que não havia mais nada que prendesse o casal a lugar algum. 

Ao analisar a experiência acumulada desde então, Vinícius conta que foi ficando cada vez mais claro o quanto não faz sentido, no mundo de hoje, possuir bens e objetos.

“Vivemos numa realidade de abundância de bens materiais e de recursos tecnológicos, incluindo as múltiplas oportunidades para trabalhar online”, ele avalia.

“Ficar preocupado em ter coisas quando podemos apenas desfrutar das coisas é contraprodutivo, em todos os aspectos, inclusive financeiro.”

Nem sempre é fácil se convencer disso, por conta da forte influência cultural relacionada à importância de “acumular patrimônio”.

“Muitas pessoas ainda querem ter uma casa e um carro porque veem nisso uma ideia de segurança e uma imagem de sucesso na vida, mas isso deixou de fazer sentido”, considera Vinícius.

Casal Partiu, nômades digitais minimalistas
Casal Partiu, primeiro casal de Nômades Digitais do Brasil

Comece a sua história!

Agora você já sabe quais são os primeiros passos para virar nômade digital e conhecer o mundo. 

Além de desenvolver uma atividade remota que possa ser realizada remotamente, é preciso ir se livrando das “âncoras” que estão impedindo você de simplesmente partir para onde bem entender.

Como vimos ao longo deste artigo, boa parte dessas âncoras são as coisas que compramos ao longo da vida. 

Que tal pegar um atalho recebendo orientação de quem já passou por tudo isso e sabe como fazer?

Hoje, o Casal Partiu se dedica integralmente à missão de ajudar outras pessoas a realizar o sonho do nomadismo digital.

Eles criaram o livro “Nômade Digital – Trabalhe de qualquer lugar e viaje o quanto quiser” para dar clareza sobre os passos necessários de um plano de transição, inclusive a percepção da atividade online que pode ser desenvolvida.

O livro Nômade Digital traz a experiência de 44 nômades digitais brasileiros, assim como um guia completo mostrando o “como faz” de todos os aspectos deste estilo de vida.

Quem já leu, foi transformado pela experiência, com plena convicção de que o projeto de virar nômade digital pode se tornar realidade.

Se você sonha em se tornar nômade digital e quer dar os primeiros passos, conheça o livro Nômade Digital clicando aqui

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