Minividas: como viver muitas vidas sendo nômade digital

Enquanto vivem experiências significativas, os nômades digitais se tornam especialistas em lidar com a incerteza em suas minividas

Você já ouviu falar do conceito de minivida? Trata-se da ideia de que determinadas experiências são tão ricas que se transformam em “pequenas vidas” dentro da nossa trajetória.

Um dos exemplos mais claros é o cotidiano dos nômades digitais, que viajam de país em país enquanto exercem uma atividade profissional remota.

A passagem por um novo país envolve sempre um processo completo de adaptação, com início, meio e fim, repleto de desafios e aprendizados.

É preciso, em primeiro lugar, localizar-se na nova vizinhança. Depois é necessário acostumar-se aos hábitos locais, à realidade econômica, à comida, enfrentar eventuais dificuldades com o idioma, conhecer lugares interessantes, mergulhar na cultura.

Tudo isso dentro de um prazo que costuma ser de, no máximo, três meses, limite mais frequente para o visto de turismo.

Experiências intensas

Nômades digitais não são turistas clássicos, já que as viagens fazem parte da vida normal.

Nossa atividade profissional é a conexão entre os diversos lugares em que vivemos, é o fator que concede algum senso de rotina às nossas vidas”, explica Vinícius Teles – que forma, ao lado de Patrícia Figueira, o Casal Partiu, referência em nomadismo digital no Brasil.

Desde que se tornaram nômades, há dez anos, eles já experimentaram minividas em 70 diferentes países.

Um exemplo didático: no final de 2017, viveram um mês em Praga, na República Tcheca, e foram passar o Natal em Berlim com amigos. Seguiram para alguns meses em Belgrado, capital da Sérvia, e outros em Montenegro, onde moraram no litoral. Partiram dali para diferentes cidades da Croácia. Estiveram também em Bania Luka, capital de um país não reconhecido, a República Sérvia da Bósnia.

“Tudo isso aconteceu dentro de um mesmo ano. Mas as experiências em cada um desses lugares foram tão intensas e novas que configuraram várias minividas”, diz Vinícius.

Minividas, Casal Partiu
Casal Partiu, primeiro casal de nômades digitais Brasileiros

Tudo passa, o bom e o ruim

Um dos efeitos dessa soma de vivências é a maior capacidade para lidar com imprevistos.

“Nós certamente nos tornamos mais resilientes e abertos aos altos e baixos normais da vida”, avalia Patricia.

Um exemplo prático são os locais em que o casal fica hospedado ao redor do mundo, normalmente alugados via airbnb. Por mais que tentem obter o máximo de informações prévias, é só mesmo quando chegam ao local que eles têm noção exata das condições reais das instalações e da localização.

Ao longo de todos esses anos, já tivemos surpresas boas e outras negativas. O essencial é ter em mente que são situações transitórias. Se está bom, desfrutamos ao máximo. Se não está tão bom, temos que lidar com isso e esperar que fique melhor na próxima experiência”, diz Patricia.

A ilusão da estabilidade

A vida convencional não proporciona esse mesmo nível de flexibilidade. Pode-se estar morando num lugar incrível, mas, se começa a obra de um prédio bem ao lado ou se chega um novo vizinho com três cachorros que não param de latir, será preciso conviver com o problema por um longo período.

Há muitos aspectos da vida que simplesmente não são controláveis. Surpresas e imprevistos são inevitáveis. Isso faz com que a busca por “estabilidade” e “segurança” frequentemente se torne frustrante.

Ainda assim, a sociedade condiciona as pessoas a ter como objetivo de vida a conquista de um bom emprego e o acúmulo de patrimônio.

Tudo isso para só desfrutar a vida de verdade quando a aposentadoria chegar.

Liberdade tardia

O pensamento baseado em “estabilidade” e “segurança” já é apresentado a jovens de 17 anos, que muitas vezes escolhem a futura profissão com base na perspectiva de renda que supostamente terão. Sem falar naqueles que estabelecem, como projeto de vida, passar num concurso público.

Mas, quem garante que esse script será seguido tão à risca? Há uma imensidão de aspectos que podem não sair como esperado ao longo do caminho.

Por que não “curtir a vida” desde sempre, enquanto se trabalha?

Por que continuar enxergando o trabalho como um fardo, uma missão à qual se dedica três ou quatro décadas, para só depois obter o direito de ser livre?

Vinícius Teles, minividas
Vinícius Teles, nômade digital desde 2010

O colorido da vida

Na vida convencional, as pessoas definem, como ponto de chegada, ter uma aposentadoria “tranquila”. Em outras palavras: alcançar uma situação financeira confortável – como se isso, por si só, fosse sinônimo de felicidade.

É uma visão que tenta “eliminar” tudo o que pode acontecer de imprevisível ao longo do caminho. Quanto mais as coisas transcorrerem dentro do planejado, mais a sociedade colará o rótulo de “sucesso” nessa trajetória.

Mas, e a própria pessoa, como se sentirá diante da percepção de que não desfrutou a vida como poderia?

Que apenas cumpriu um roteiro para ter o direito a um prêmio, “desfrutar a aposentadoria”?

E aqueles casos em que a pessoa se dedica tanto que cumpre os objetivos bem antes da aposentadoria? Quem chega aos 45 anos com um bom patrimônio e os filhos praticamente criados, faz o que a partir daí?

Continua apenas “cumprindo tabela” no trabalho, para assegurar a renda que manterá essa vida confortável e segura?

E como fica o espírito de aventura e de descoberta, que dá tanto colorido à vida?

Valorize o percurso

A maior parte das pessoas dedicam ao trabalho o melhor período da vida, em que estão plenas em energia e saúde.

Depois, quando “se livram” disso, podem não ter a mesma disposição para viajar, podem não ter a companhia de quem gostariam de ter, podem não estar na situação financeira que imaginavam estar.

A vida convencional é como a de um alpinista que estabelece como projeto de vida alcançar o topo de uma determinada montanha. Quando ele finalmente chega lá, fica em êxtase por cinco minutos e depois sente um grande vazio.

Esse alpinista provavelmente perceberá que sua grande motivação e seu verdadeiro prazer estavam em fazer o planejamento necessário e superar as dificuldades que surgiam pelo caminho. Ou seja, a grande vivência foi o percurso, e não a chegada.

Assim tem sido a vida convencional de muita gente: valoriza-se a chegada – uma aposentadoria tranquila e segura – e diminui-se a importância do percurso.

Muitas pessoas só se dão conta que deveriam ter valorizado mais o percurso quando já é tarde demais.

Quando chegam ao topo da montanha e sentem um vazio, ou, pior ainda, quando percebem que ficaram pelo caminho, sem chegar aonde sempre sonharam e sem ter valorizado devidamente o percurso.

Minividas, Patricia Figueira
Patrícia Figueira, nômade digital desde 2010

Sem medo do futuro

Já o nomadismo digital parte de um conceito muito diferente. Também há um objetivo, mas esse objetivo não é acumular patrimônio, e sim experiências significativas.

A meta não está no futuro, e sim no presente: é ter a sensação de estar desfrutando o máximo possível da vida. O mais importante não é o destino, e sim o que se vive pelo caminho.

Isso contribui para lidar melhor com o receio de que as coisas possam não sair exatamente conforme o planejado.

“Você já vai cumprindo o seu objetivo de vida enquanto vive, e isso faz toda a diferença para perder o medo do futuro, para diminuir o risco de constatar lá na frente que não foi tão feliz quanto poderia”, observa Vinícius.

Comece a sua história!

Por que não adotar um estilo de vida em que trabalho e lazer caminham juntos, sem fronteiras rígidas?

Uma forma de viver em que experiências marcantes estão integradas à rotina, em vez de se limitarem a ocasiões especiais no final do ano ou eventuais feriadões?

É isso que o nomadismo proporciona, além de funcionar como um “treino” para as surpresas da vida.

“Buscar soluções e novos caminhos faz parte do nosso dia a dia. Isso certamente tem grande influência também sobre a nossa criatividade e o nosso desempenho profissional. Não trabalhamos com a perspectiva de aposentadoria, e sim com a ideia de reinvenção constante”, descreve Vinícius.

Hoje, o Casal Partiu se dedica integralmente à missão de ajudar outras pessoas a realizar o sonho do nomadismo digital. Eles criaram o livro “Nômade Digital – Trabalhe de qualquer lugar e viaje o quanto quiser” para dar clareza sobre os passos necessários de um plano de transição, inclusive a percepção da atividade online que pode ser desenvolvida.

O livro Nômade Digital traz a experiência de 44 nômades digitais brasileiros, assim como um guia completo mostrando o “como faz” de todos os aspectos deste estilo de vida.

Quem já leu, foi transformado pela experiência, com plena convicção de que o projeto de virar nômade digital pode se tornar realidade.

Se você sonha em se tornar nômade digital e quer dar os primeiros passos, conheça o livro Nômade Digital clicando aqui

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4 respostas

  1. Adoro ler as experiências do Vini e da Pati, fico imaginando como vai ser na minha hora.
    Parabéns pelo blog e obrigado por compartilhar tanta coisa valiosa.
    O livro é muuuuuiiiito bom, nao da vontade de parar de ler, trás experiências de outros nômades e faz vc viajar junto com o Casal Partiu.

  2. Vini e Paty,
    Como podemos viver o presente sem esquecer o futuro? Eu amei esse texto mas sei que na velhice ou na doença precisamos ter mais segurança já que perdemos a força para trabalhar.
    Poderiam montar um pequeno texto sobre como podemos nos organizar para esse momento?
    Adoro vocês!

  3. Muito interessante esse texto. Remete muito há uma frase que ouvi um dia: MORRA COM MEMÓRIAS, NÃO COM SONHOS.
    Se não pudermos realizar nossos sonhos AGORA, amanhã poderá ser tarde demais.
    Temos que curtir a vida agora. E como fica quando chegarmos na velhice? Que não teremos mais tanta “força “.
    Penso que nesse caso já é interessante nos programarmos desde já para isso com rendas passivas e com investimentos…
    Não dá pra se gastar tudo o que ganha, temos que guardar uma parte para nossa aposentadoria….

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